Quando a próxima classe de recebível chegar, você configura ou troca de sistema?

A maioria das gestoras de FIDC já entendeu que controlar recebíveis em planilhas não escala. Hoje, a pergunta mais relevante é como esta automação deve ser feita, e é aqui que o erro acontece: troca-se a planilha por um software de propósito único; uma ferramenta desenhada para um tipo único de recebível ou um momento específico do mercado atual. No curto prazo parece resolver, no médio prazo, não.

Para a área de risco e compliance, essa diferença é estrutural. Um software single-purpose automatiza uma rotina, uma plataforma configurável sustenta a operação inteira do fundo à medida que ela muda na indústria de recebíveis, mudar é a regra.

O problema é o que você automatiza

Software de propósito único é construído em torno de um modelo de dados fixo. Ele assume um tipo de lastro, um fluxo de cessão e um conjunto de campos. Enquanto a sua operação couber nesse molde, funciona, porém, no instante em que ela sai do molde (um novo tipo de recebível, uma nova estrutura de cotas, uma exigência regulatória que não estava prevista), a ferramenta passa a trabalhar contra você.

A reação típica é previsível: contrata-se outra ferramenta para o caso novo, e depois outra. A gestora acaba com um software para duplicatas, outro para cobrança, um terceiro para risco, e planilhas no meio para reconciliar tudo. Cada ferramenta resolve um pedaço e cria uma fronteira. O controle de recebíveis, que deveria ser único, se fragmenta entre sistemas que não se enxergam.


A variedade derruba o software de nicho

Basta listar as variáveis para ver por que um molde fixo não se sustenta.
Os tipos de recebível não param de se diversificar: duplicatas escriturais, CCBs, CPRs e recebíveis do agro; contratos de prestação de serviços, recebíveis de cartão, cheques, crédito consignado, precatórios e ativos judiciais. Cada classe tem o seu lastro, o seu documento de origem, o seu ciclo de liquidação e o seu perfil de risco.

As configurações de fundo multiplicam ainda mais o espaço de possibilidades: multicedente e multissacado, monossacado, monocedente, FIDCs não-padronizados, revolvência, estruturas de cotas sênior, mezanino e subordinada. E acima disso vêm as teses: factoring, financiamento de cadeia de suprimentos, agro, judicial, consignado... Cada uma com suas regras de elegibilidade, concentração e enquadramento.


Um mercado que ainda está se formando


Soma-se a isso o fato de que o próprio mercado está em movimento. A duplicata escritural, o Identificador Único da Duplicata (IUD), a Lei 13.775/2018 e a Resolução BCB 339, de 2023, redesenharam o ecossistema de registro e a interoperabilidade entre escrituradoras e registradoras. A Resolução CVM 175, de 2022, reorganizou a estrutura dos fundos. Novos tipos de lastro e novas exigências de transparência continuam surgindo.

Software de propósito único acompanha esse movimento na velocidade do roadmap do fornecedor, que tem o seu próprio calendário e as suas próprias prioridades. Quando a norma muda ou um novo ativo entra na carteira, a gestora espera, adapta na planilha, ou troca de ferramenta. Em todos os casos, o controle fica para trás justamente quando o risco aumenta.

Uma plataforma configurável trata mudança como configuração, não como projeto de substituição. Um novo tipo de recebível é modelado: uma nova regra de enquadramento é parametrizada e uma nova fonte de dados é conectada. A operação continua na mesma base, com a mesma trilha de auditoria e os mesmos controles, mas agora cobrindo também o que é novo.


O custo oculto do patchwork


A fragmentação tem um custo que raramente aparece no orçamento, mas aparece todos os dias na operação de risco.

Quando conciliação, gestão de garantias e monitoramento de risco vivem em ferramentas diferentes, nenhuma delas tem a visão completa. A conciliação entre a carteira e os registros das escrituradoras precisa ser refeita a cada integração. A rastreabilidade do recebível até o documento de origem se interrompe nas fronteiras entre sistemas. O controle de colateral (saber quais duplicatas estão vinculadas como garantia e quais não podem ser reutilizadas) depende de cruzamentos entre bases que não falam a mesma língua, e é exatamente aí que mora o risco de dupla cessão. E a visão de risco em tempo real se torna impossível, porque a posição consolidada só existe depois que alguém junta as peças na planilha.

O resultado é que a gestora volta ao ponto de partida: o trabalho manual que ela queria eliminar reaparece na forma de conciliação entre softwares. Trocou-se a planilha de dados pela planilha de integração.


Cada gestora analisa o risco do seu jeito


Há uma razão adicional, e talvez a mais decisiva, para que o controle de recebíveis não caiba em uma ferramenta fechada: não existe uma única forma de analisar o risco. Cada gestora tem a sua metodologia. Os indicadores de concentração, os critérios de elegibilidade, as curvas de inadimplência e de pré-pagamento, a marcação dos direitos creditórios e os modelos de provisão refletem a tese do fundo e a leitura de risco de quem o gere. 

O mesmo vale para os testes de estresse. Estressar a inadimplência de uma carteira de factoring multicedente não é a mesma coisa que estressar a antecipação de recebíveis de cartão ou o fluxo de uma operação monossacada. Os cenários, as premissas e a severidade variam por tese, por tipo de lastro e por exigência do regulamento e do regulador. Um software de propósito único entrega um conjunto fixo de análises e cenários, e a gestora precisa se moldar a ele. Uma plataforma configurável faz o contrário: permite que cada gestora defina as suas próprias análises, parametrize os seus próprios cenários de estresse e os aplique de forma consistente em todos os fundos, com a mesma rastreabilidade e a mesma trilha de auditoria. A ferramenta atende à metodologia da gestora, não o inverso.


Future-proofing: a plataforma como infraestrutura que evolui

É por isso que escolher uma plataforma como a Everysk é, antes de tudo, uma decisão de future-proofing. Em vez de comprar uma resposta para o problema de hoje, a gestora adota uma infraestrutura nativa de mercado de capitais que evolui com a operação: conecta as fontes uma vez, modela cada tipo de recebível e cada estrutura de fundo, e passa a tratar conciliação, garantias e risco como um único fluxo governado, com rastreabilidade de ponta a ponta.




O que muda para risco e compliance


Para quem responde pelo risco e pela conformidade do fundo, a diferença é concreta. Um único modelo de dados cobre todos os tipos de recebível e todas as estruturas de fundo. Uma única trilha de auditoria liga o relatório consolidado ao documento de origem. Os limites de concentração por sacado, cedente e grupo econômico são monitorados em tempo real, com alertas preventivos antes do desenquadramento. E a consolidação entre fundos deixa de ser um exercício de fim de mês para virar a posição corrente.

A escolha, no fundo, não é entre planilha e software, mas entre comprar uma ferramenta que resolve o caso de hoje e adotar uma plataforma que continua resolvendo os casos de amanhã. Em um mercado de recebíveis que ainda está se formando, essa é a única definição de controle que se sustenta no tempo.



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